Boleto Emitido x Boleto Pago: o custo escondido da sua operação na Black Friday

Pergunte a qualquer gestor quantos boletos a empresa emite por mês e ele responde rápido. O sistema mostra, a planilha mostra, o relatório do banco […]

Boleto Emitido x Boleto Pago: o custo escondido da sua operação na Black Friday
Por: Beatriz Carvalho

Pergunte a qualquer gestor quantos boletos a empresa emite por mês e ele responde rápido. O sistema mostra, a planilha mostra, o relatório do banco mostra.

Agora pergunte quantos desses boletos foram efetivamente pagos. A resposta costuma ser mais lenta, mais vaga, e quase sempre vem em forma de estimativa: “a maioria”, “uns 90%”, “temos pouca inadimplência”.

Essa diferença de velocidade entre as duas respostas é o assunto deste artigo. Porque o boleto emitido é um custo. O boleto pago é uma receita. São coisas que acontecem em momentos diferentes, com números diferentes e que a maioria das empresas acompanha como se fossem a mesma.

Neste artigo, você vai entender:

  • por que emissão e liquidação não são a mesma coisa;
  • onde o boleto não pago custa dinheiro, linha por linha;
  • por que a Black Friday distorce esse número e como medi-lo direito.

O problema: emissão e liquidação são dois números diferentes

O indicador é simples: de tudo que foi emitido em um período, quanto foi liquidado. É a taxa de liquidação.

A confusão nasce de tratar os dois momentos como um só. Emitir é registrar uma cobrança e, dependendo do modelo, já gerar um custo. Liquidar é o dinheiro entrando na conta. Entre um e outro existe uma distância, e é nela que a margem se perde sem aparecer no relatório.

A Conta Que Quase Ninguém Faz

Suponha um provedor de internet com 3.000 clientes ativos. Todo mês ele emite 3.000 boletos. Até dez dias depois do vencimento, 2.550 estão pagos. Taxa de liquidação: 85%.

Os outros 450 não desapareceram. Estão em algum lugar da operação:

  • uns serão pagos com atraso;
  • outros vão precisar de segunda via;
  • outros vão virar contato do time;
  • alguns serão renegociados;
  • e uma parte não será paga nunca.

Cada um desses 450 já custou algo à empresa no momento em que foi emitido e vai custar de novo cada vez que alguém tocar nele.

Repare no que acontece quando a operação cresce. Se o provedor passa a ter 4.000 clientes, ele não passa a ter 450 boletos em aberto. Passa a ter 600. O percentual continua parecendo confortável. O trabalho aumentou em um terço.

Onde o boleto não pago custa dinheiro

Cada um desses custos é pago por uma linha diferente do orçamento e nenhum deles aparece junto.

A tarifa que você paga na emissão

Existem dois modelos no mercado: provedores que cobram no registro do boleto, independentemente de ele ser pago, e provedores que cobram na liquidação.

A diferença parece pequena no contrato e é enorme na prática:

  • No modelo por registro, todo boleto emitido e não recebido é custo puro. Emitiu segunda via? Paga de novo. Cliente pediu para mudar o vencimento? Paga de novo.
  • Uma operação com liquidação de 85% e muita reemissão pode estar pagando por 20% a 30% mais boletos do que efetivamente recebe.

Se você não sabe de cabeça qual modelo sua empresa paga hoje, essa é a primeira pergunta a levar para o financeiro. Ela muda completamente o cálculo do custo de cobrança.

A reemissão e a segunda via

Boleto vencido não pode ser pago do jeito que está. Ele volta para a fila: alguém reemite, alguém envia, alguém confirma o recebimento com o cliente.

Isso tem um custo de tarifa (no modelo por emissão) e um custo de tempo que é sempre subestimado porque é distribuído. Cinco minutos aqui, uma conversa no WhatsApp ali, um e-mail depois. Ninguém registra esse tempo em lugar nenhum, e é exatamente por isso que ele nunca entra na conta.

O acompanhamento manual

Quando o boleto não é pago, a empresa precisa decidir o que fazer. Sem processo definido, essa decisão é tomada caso a caso por uma pessoa, o que significa que a cobrança fica limitada pela agenda dessa pessoa.

É aqui que a matemática vira contra a empresa. Cobrança padrão custa quase nada. Cobrança com intervenção humana custa o salário de alguém dividido pelo número de casos que ela consegue tratar por dia.

O custo de não saber

Tem um custo menos óbvio que os outros e maior que todos: a empresa que não sabe a taxa de liquidação também não sabe qual parte da carteira está se comportando bem.

Sem esse número segmentado, não há como responder perguntas que valem dinheiro:

  • o boleto de cliente novo é pago na mesma proporção que o de cliente antigo?
  • a condição promocional trouxe clientes que pagam?
  • qual segmento tem mais reemissão?

Esse tipo de pergunta só é respondível quando emissão e liquidação são acompanhadas separadamente.

Por que a Black Friday distorce esse número?

Um pico de vendas mexe em todas as variáveis ao mesmo tempo e quase todas na direção errada.

  • O volume de emissões sobe.
  • Entram clientes novos, sem histórico de pagamento com a empresa e sem o hábito de pagar naquele dia do mês.
  • Aparecem vencimentos fora do ciclo padrão, porque o contrato começou no meio do mês.
  • Parte das compras é por impulso, movida pela promoção e impulso tem taxa de liquidação pior que decisão planejada.

O resultado é uma safra de cobranças com comportamento diferente do resto da carteira, emitida justamente no mês em que a empresa está mais ocupada com a venda e menos disponível para acompanhar o recebimento.

E ela chega para pagamento em dezembro e janeiro, os dois meses em que o cliente tem mais compromissos financeiros concorrendo entre si.

Como medir a sua taxa de liquidação

A fórmula é direta: boletos pagos ÷ boletos emitidos, no mesmo período de referência. O cuidado está em três detalhes que deixam o número errado e otimista.

CuidadoPor quê
Use a safra de emissão, não o mês de caixaComparar pagos em setembro com emitidos em setembro mistura boletos antigos com emissões novas. O certo: dos boletos com vencimento em setembro, quantos foram pagos.
Defina uma janela de fechamentoBoleto é pago com atraso com frequência. Escolha um prazo (10, 15 ou 30 dias após o vencimento) e use sempre o mesmo. Sem isso, o número muda a cada relatório.
Conte as reemissões separadamenteUm boleto reemitido três vezes e pago na quarta é um cliente que pagou e quatro boletos emitidos. Se a contagem não separa isso, você perde exatamente a informação que queria ter.

Com esses três cuidados, dá para segmentar: por produto, por canal de venda, por faixa de valor, por mês de entrada do cliente. É aí que a informação começa a servir para decidir algo.

Conclusão

A meta da Black Friday é contada em vendas. A operação financeira é contada em cobranças pagas. São dois números diferentes, e a distância entre eles é onde a empresa perde margem sem perceber.

Uma operação que emite 3.000 boletos para receber 2.550 está trabalhando com uma perda que já está no orçamento, só não está no relatório. Descobrir o tamanho exato dessa perda é a coisa mais barata que dá para fazer antes de novembro, porque não exige mudar nada: exige medir.

Na LyTex, boleto, Pix e cartão ficam na mesma plataforma, com baixa automática e visibilidade do que foi emitido, do que foi pago e do que continua em aberto. É a diferença entre estimar a taxa de liquidação e saber qual ela é.

[Veja como acompanhar emissão e recebimento em um só lugar →]

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