Como preparar o financeiro da sua empresa para a Black Friday?

Em setembro, quase toda empresa que vai participar da Black Friday já tem uma lista. Oferta definida, capacidade de atendimento revisada, time comercial alinhado, site […]

Como preparar o financeiro da sua empresa para a Black Friday?
Por: Beatriz Carvalho

Em setembro, quase toda empresa que vai participar da Black Friday já tem uma lista. Oferta definida, capacidade de atendimento revisada, time comercial alinhado, site testado, verba de tráfego separada, canais de suporte reforçados.

É uma lista boa. E ela costuma parar no mesmo lugar: na venda.

O que vem depois normalmente é tratado como consequência automática. Vendeu, então recebeu. Quem opera cobrança todos os dias sabe que a distância entre esses dois verbos é onde a operação trava. Entre a venda fechada e o dinheiro disponível em conta existe um percurso com emissão, vencimento, pagamento, baixa, conciliação, cobrança de quem não pagou, renegociação, estorno, contestação de cartão. Cada etapa dessas tem um custo de tempo e de atenção que ninguém contabiliza quando está montando a meta.

A pergunta que este artigo quer colocar na mesa é simples: sua empresa pode estar pronta para vender mais na Black Friday, mas está pronta para receber, acompanhar e conciliar tudo o que vai entrar?

A Black Friday não cria problemas de cobrança. Ela multiplica os que já existem.


Nenhuma empresa passa a ter problema de conciliação por causa da Black Friday. O problema já estava lá, só que em uma escala que dava para resolver com esforço individual.

Suponha uma escola com 400 contratos ativos. Todo mês, uma parte dos boletos não é paga no vencimento e alguém da secretaria refaz o contato, reemite, confirma. Dá trabalho, mas cabe na semana de uma pessoa. Agora suponha que uma campanha de matrículas antecipadas com condição especial de Black Friday traga 150 contratos novos em duas semanas, com planos diferentes, vencimentos fora do ciclo padrão e formas de pagamento variadas.

O volume de cobranças cresceu cerca de 35%. O trabalho da secretaria não cresceu 35%. Cresceu muito mais, porque o que aumentou não foi só a quantidade de cobranças: foi a quantidade de exceções. Contrato que começou no meio do mês. Cliente que pediu para mudar o vencimento. Cartão que recusou na primeira tentativa. Pagamento feito com valor errado. Dois boletos emitidos para a mesma pessoa.

Operação financeira escala mal justamente aí. Cobrança padrão é barata. Exceção é caríssima, porque exige uma pessoa olhando caso por caso.

O que muda no financeiro quando o volume entra de uma vez

Vale separar o que acontece, porque cada efeito aparece em um momento diferente e é tratado por uma área diferente.

A conciliação é a primeira coisa a travar

Se a empresa recebe por boleto, Pix e cartão, cada meio tem seu próprio extrato, seu próprio prazo e sua própria lógica de baixa. Conferir isso manualmente é viável enquanto o número de lançamentos por dia é pequeno.

Quando o volume dobra em uma semana, a conciliação não fica difícil. Ela fica atrasada. E financeiro atrasado tem um efeito colateral específico: a empresa perde a noção de quem pagou. Aí ela cobra quem já pagou, deixa de cobrar quem não pagou e passa a discutir internamente com relatórios que ninguém confia.

O prazo de recebimento deixa de ser um detalhe contratual

Venda concentrada em novembro com parcelamento no cartão, boleto com vencimento em dezembro e primeira mensalidade em janeiro compõem um desenho de caixa muito diferente do faturamento anunciado na reunião de resultados.

A empresa comemora o volume vendido em novembro e sente o caixa em janeiro ou fevereiro. Entre esses dois momentos, ela ainda tem folha, décimo terceiro, fornecedores e, com frequência, o custo da campanha que gerou aquele volume.

A cobrança de quem não pagou vira um trabalho à parte

Todo pico de vendas traz uma cauda de não pagamento. Parte é esquecimento, parte é meio de pagamento que falhou, parte é cliente que comprou por impulso na condição promocional e se arrependeu.

Sem um processo definido de lembrete, aviso de vencimento e cobrança após o vencimento, essa cauda é trabalhada de forma improvisada: alguém puxa uma lista, manda mensagens, anota respostas em uma planilha paralela. Funciona por um mês. Não funciona como rotina.

Janeiro é onde a conta aparece

Empresas de recorrência conhecem bem esse ponto. O cliente que entrou na Black Friday tem a primeira renovação em dezembro ou janeiro. Se o cartão dele venceu, se o limite não cobre, se o boleto não chegou, ele simplesmente para de pagar, não porque decidiu sair, mas porque o pagamento falhou e ninguém agiu.

É perda de receita sem nenhuma decisão do cliente. E ela aparece justamente no mês em que a empresa esperava colher o resultado da campanha.

Por que isso não pode ser tratado como problema de dezembro

Existe uma tentação razoável: deixar para ajustar o financeiro quando o volume chegar. O argumento parece prático. Primeiro vende, depois organiza.

O problema é que as decisões que determinam o custo operacional da Black Friday são tomadas antes dela, e quase sempre por quem não olha para o financeiro.

Quem define que o pagamento será em até 12 vezes está definindo o prazo de recebimento e o custo de antecipação. Quem define que a condição promocional vale para novos contratos com vencimento em qualquer data está criando dezenas de ciclos de cobrança fora do padrão. Quem decide aceitar um meio de pagamento novo para reduzir atrito na venda está criando uma nova frente de conciliação.

Essas escolhas não são erradas. Várias delas aumentam a conversão, e é para isso que existem. O erro é tomá-las sem saber quanto elas custam do outro lado da operação.

O que significa, na prática, preparar o financeiro

Preparar o financeiro não é contratar mais gente para dar conta do pico. Isso resolve a Black Friday e deixa a empresa com uma estrutura que não se sustenta em fevereiro.

Na prática, são quatro capacidades:

Visibilidade. Saber, em qualquer dia, quanto foi cobrado, quanto entrou, quanto está em aberto e quanto já venceu. Sem depender de uma pessoa específica para montar o número.

Baixa e conciliação automáticas. O pagamento precisa ser reconhecido sem intervenção manual, independente do meio. Conciliação manual é o gargalo que aparece primeiro e o mais fácil de eliminar.

Régua de cobrança que roda sozinha. Lembrete antes do vencimento, aviso no dia, sequência definida depois. Não é sobre pressionar o cliente. É sobre não depender de alguém para se lembrar de cobrar.

Capacidade de absorver exceção. Mudar vencimento, reemitir cobrança, renegociar, trocar o meio de pagamento, sem que cada caso vire um atendimento longo.

Uma empresa que tem essas quatro coisas pode dobrar o volume de cobranças sem dobrar a equipe. Uma empresa que não tem paga o crescimento em horas de trabalho e em receita que se perde no caminho.

A pergunta que vale mais do que a meta

A meta de vendas da Black Friday é um número que a empresa escolhe. A capacidade de receber aquele número é uma condição que a empresa já tem, ou não tem.

Vale fazer o exercício antes de novembro: se o volume de cobranças da sua empresa dobrasse no mês que vem, o que quebraria primeiro? Quem seria a pessoa sobrecarregada? Qual relatório deixaria de ser confiável? Qual cliente deixaria de ser cobrado?

Se a resposta vier rápido, o problema já é conhecido e ainda dá tempo de tratar. Se não vier, é sinal de que ninguém olhou para esse lado ainda.

Nos próximos artigos desta série, cada um desses pontos é aberto separadamente, começando por um custo que quase nenhuma empresa mede: a diferença entre o boleto que ela emite e o boleto que ela recebe.

A LyTex existe para essa parte da operação. Centralizar boleto, Pix e cartão em um só lugar, automatizar a régua de cobrança, conciliar os recebimentos sem trabalho manual e dar visibilidade do que foi cobrado e do que efetivamente entrou. Se sua empresa está planejando vender mais na Black Friday, faz sentido olhar para o financeiro agora, e não em janeiro.

Fale com o nosso time e entenda como estruturar a sua cobrança antes do pico.

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